quarta-feira, 29 de junho de 2011

E a bagunça continua "cumpanhêro"



Pouca coisa é tão revoltante quanto professor em greve. Há profissões em que esse tipo de conduta deveria ser punido com demissão sumária por justa causa. Mas sabemos bem que não é isso que acontece. Abordei esse assunto anteriormente, mas considero conveniente aprofundar-me e adentrar nos pormenores que me fazem escrever este artigo. 

Quando se faz greve, faz-se para que o aumento do salário seja compatível com o nível do trabalho que se está exercendo, ou seja, trabalha-se muito, ganha-se muito. Mas não é justo uma greve por melhores salários quando não se trabalha para isso. Cito como exemplo a greve dos professores coordenados pelo SEPE, greve esta que apenas 2% dos professores aderiu por saberem que é uma piada.

Como podem reivindicar melhores salários se não estão trabalhando para que ganhem mais? Para verificar esse fato, basta uma rápida olhadela nas notícias (essas que não aparecem na tv).

Nos últimos cinco anos, o desempenho das escolas estaduais do Rio de Janeiro no principal indicador de qualidade da educação do país ficou quase estagnado, variando de 2,6 para 2,8, abaixo da meta de 2,9. A nota vermelha no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio coloca o segundo Estado mais rico do Brasil entre os piores, à frente apenas do Piauí, cujo verba para a área é de R$ 1,2 bilhão, um terço da do Rio.

Ainda assim, com toda essa vergonha que têm de carregar, os professores querem greve. Querem mais dinheiro para deixar a educação do Rio de Janeiro em penúltimo lugar, à frente apenas do Piauí, cuja verba é muito menor. Antes de pensar em aumento de salário seria bom se trabalhassem para isso.

É justo que se aumente o salário do trabalhador, mas quando trabalha e mostra resultados. Qual o pai que vendo seu filho ser rebaixado à penúltima colocação no ranking da educação no Brasil apoiaria essa greve? Lugar de professor é dentro da sala de aula. Quanto mais tempo estiverem fora da sala de aula lutando por melhores salários sem mérito, os alunos estarão na rua fazendo sabe-se lá o que.

O problema não se dá somente quando se relaciona o desempenho educacional do Rio de Janeiro com estudantes de todo o Brasil. Segue:

De acordo com a secretaria, 71% dos alunos do 1º ano não conseguiram acertar nem um terço da prova. Já no 2º e no 3º, o percentual era 66% e 52%, respectivamente. Chama a atenção a queda do aprendizado entre o 9º ano do ensino fundamental (o último ano), quando 31% estavam abaixo da média, e o 1º ano do ensino médio, quando 71% dos alunos apresentam déficit de conteúdo.

É assim, professores, que querem aumento? Fazer greve é mais fácil do que trabalhar.

5 comentários:

Anônimo disse...

Muito fácil criticar, gostaria de ver você em uma sala de aula superlotada ganhando R$700,00, escrever besteira sem antes tomar conhecimento da realidade "cumpanhêro" também é fácil é porisso que o Estado do Rio vai continuar só na frente do Piaui.

Hallison Liberato disse...

Ta bem, fazer greve é mais fácil do que ganhar R$700,00.

Hallison Liberato disse...

O Rio está em penúltimo no ranking porque os professores são incapazes de melhorar suas aulas.

Ensinar independe de salário.

Ficar parado fazendo bagunça com grevistas é moleza, quero ver entrar numa sala de aula e ministrar uma aula decente.

Flavia Borges disse...

Tenho visto o contrário, por aí. Os professores trabalham muito (muitas vezes têm mais de uma matrícula), tentam de tdo dentro de sala, mas os alunos não rendem por outros fatores... Aí os professores ficam doentes por isso, têm burnout, depressão etc etc etc. Eu não acreditava nessa história até fazer um trabalho em uma escola pública de Niterói-RJ e a situação é foda mesmo.E outros colegas fizeram trabahos em várias escolas e encontraram situação igual ou pior (pra vc ver que a amostra era razoável). Os professores ruins são a minoria. Assim como existe profissional escroto e malandro em qualquer lugar. Mas não são suficientes pra esculachar o sistema educacional. Pelo que vemos com os dados que vc citou, é preciso muito mais que bons professores para se ter bons resultados, isso eu vi com meus póprios olhos até...
Vou tomar café.

abs!

Hallison Liberato disse...

Eu até pensaria assim, Flavia, sem problema nenhum.

Salário bom não cura depressão, prova disso é que tem muito milionário fazendo psicoterapia e tomando antidepressivo.

Não é porque o salário melhora que automaticamente o ensino também vai melhorar.

Além do mais, em qualquer greve as pessoas reivindicam mais dinheiro porque trabalham direito. Será que naqueles cantões nordestinos eles ganham melhor que os professores daqui? Não creio... Mesmo assim, o RJ ficou à frente apenas do Piauí.

Que ganham pouco não há dúvida. Mas ainda acredito que estão ganhando o que merecem. Se trabalhassem direito e educassem corretamente, eu teria o maior prazer do mundo em apoiá-los da mesma forma que apoiei os bombeiros.

Mas, enquanto não trabalham...

Bom café!