sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Os novos párias



Com a glamourização do uso das drogas, vê-se um aumento substancial no número de usuários. Esse fato nos leva a uma pergunta: O que faz com que jovens e até senhores esclarecidos aceitem participar desta lamentável estatística do aumento de drogados?

Conversando com algumas pessoas que fazem uso rotineiro de maconha, a conclusão a qual se chega não é nova. Alguns a usam na tentativa de se sentirem aceitos por um determinado grupo (sim, pode parecer ridículo e é, mas acontece com frequência ainda hoje). Outros utilizam apenas por acharem que desta maneira estão desafiando a ordem, o sistema, as autoridades.

Muitos artistas, incluindo os que mesmo não sendo se auto intitulam como tal, fazem uso por considerarem que este é um modo de abrirem a mente, de se apresentarem como diferentes numa eterna busca por liberdade. A condição intelectual empobrecida pelo constante uso da maconha (quiçá outras drogas) não os deixa perceber que ao buscarem na substância entorpecente uma pretensa liberdade, acabam presos nas garras do vício. É um discurso um tanto quanto repetido, mas a realidade vem se copiando de acordo com o passar do tempo.

Vício não é doença. Todo vício se inicia a partir de uma atitude consciente do indivíduo. Atitude essa que independe do motivo que o leva ao ato que a priori o torna viciado. Em um país como o Brasil, não se pode aceitar a tese defendida e difundida por inúmeros catedráticos e seus pupilos universitários que culpam a falta de informação pelo alto índice de drogados e traficantes. Desconheço, por exemplo, qualquer pessoa que tenha começado a fumar sem saber dos riscos de vício do tabaco e da nicotina. O ato de fumar em si denota claramente a deficiência de amor próprio do sujeito que faz uso. O fato de prejudicar a si pela agonia de ser aceito pelo outro torna vazio todo o discurso dos supracitados mestres e doutores.

A tentativa de se quebrar uma tradição, como a proibição do uso de drogas, soa jocosa porque baseados nas suas bagagens culturais (limitadas) tentam anular o acúmulo de conhecimento de séculos e até milênios que fez com que a civilização achasse por bem não propagar ou extirpar o uso de substâncias que entorpecem, como de fato as drogas fazem.

No entanto, essa não é apenas uma questão de simples quebra de contrato com a sociedade. É também efeito de uma educação insossa, deficiente e degradante que não estabelece limites. Aliás, os limites há muito não são impostos, vêm sendo sugeridos. Não existe lei sugerida, existe lei imposta. Basta olharmos a liberdade que se têm nas escolas, onde o aluno faz o que quer e os professores são obrigados a cumpliciarem com o mau comportamento sob pena de sofrerem punições.



Todas as pessoas que fazem uso de drogas podem ser consideradas moralmente inferiores. A sociedade, com o aval de inúmeros anos de conhecimento simplificados sob a égide de tradição os vê como párias, mendigos morais, como pessoas que não têm motivo para receber qualquer tipo de interesse social além da exclusão. São e devem ser considerados cânceres, tumores malignos que precisam ser extirpados.

*Sempre estive aberto aos debates relacionados com os temas que defendo. Algumas vezes desafiei e noutras fui desafiado. Sempre deixei meus interlocutores sem palavras diante da minha exposição dos fatos. Fatos estes que não foram criados por mim, são meros frutos da tradição e do conhecimento adquiridos por esta mesma tradição que trouxe a humanidade ao nível na qual se encontra. Desconheço qualquer maconheiro que tenha presenteado o mundo com uma contribuição científica importante.

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